Poemas sobre o amor
Soneto
Amor é fogo que arde sem se ver
é ferida que dói e não se sente
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer,
é solitário andar por entre a gente,
é nunca contentar-se de contente,
é cuidar que ganha em se perder;
é querer estar preso por vontade,
é servir a quem vence o vencedor,
é ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor,
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Camões.
Soneto do amor total
Amo-te tanto, meu amor...não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer e de amar mais do que pude.
Vinícius de Moraes
O amor é finalmente
um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias,
uma confusão de bocas,
uma batalha de veias,
um reboliço de ancas,
quem diz outra coisa é besta.
Gregório de Matos
Caprichos & Relaxos
"E o Amor, então,
também acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva
ou em rima."
Paulo Leminske.


Um comentário:
Este poema é interessantíssimo, certa foi matéria de reflexão nas aulas de literatura no ensino médio, analisando a diferença na descrição do amor entre dois poetas, Gregório de Matos e Camões .
Elrick Rocha, estudante de Direito.
elrickbrt@hotmail.com
Colider-MT
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